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Álcool e energético: saiba como a combinação pode alterar o ritmo do coração

Popularidade dos energéticos dispara, mas consumo sem cuidado acende sinal de alerta
Foto: Divulgação
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O mercado de bebidas energéticas está em plena expansão no Brasil e esse crescimento ajuda a explicar por que o tema entrou no radar de saúde. Segundo dados recentes da Nielsen, empresa global especializada em monitoramento de vendas e comportamento de consumo no varejo, o volume nacional de produção de energéticos atingiu 557 milhões de litros.

Ainda de acordo com o levantamento, o mercado da bebida registrou crescimento de 17% entre 2023 e 2024, indicando que o consumo tem se consolidado no dia a dia de diferentes perfis de consumidores.

Com a popularização, cresce também o consumo em situações de risco, e uma das mais comuns é a combinação entre energético e álcool, usada por muitos jovens como estratégia para manter a energia e prolongar momentos de lazer.

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A mistura de álcool e energético pode aumentar o estresse sobre o coração. Herbert Mendes, cardiologista e docente do Idomed, explica que o álcool pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial e ainda estimular a diurese, favorecendo a desidratação. Em dias de calor e longas horas de atividade, esse cenário se intensifica com facilidade.

Além disso, ele pontua que os energéticos têm compostos estimulantes que podem acelerar o coração e elevar a pressão, aumentando o risco de arritmias em alguns casos. Quando entram junto com o álcool, o corpo recebe uma sobrecarga dupla: além do efeito cardiotóxico, há o estímulo direto sobre o ritmo cardíaco — combinação que favorece picos de pressão e alterações do batimento, principalmente em situações de excesso.

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Mendes chama atenção ainda para um fenômeno que costuma aparecer após períodos de excesso, como fins de semana prolongados e eventos intensos: mesmo o álcool, sozinho, já pode desencadear alterações no ritmo cardíaco. “No fim do final de semana, algumas pessoas bebem muito e podem apresentar arritmias provocadas pelo álcool. Se misturar com energético, o risco tende a aumentar”, afirma.

Quando o corpo avisa
Outro ponto destacado por Herbert Mendes é que muitos jovens não percebem quando passaram do limite ou escolhem ignorar sintomas por associarem o desconforto à empolgação do momento. “Às vezes a pessoa sente o coração acelerado e interpreta isso como euforia, como se fosse só animação. Mas pode ser um sinal de alerta”, explica.

Para ele, o parâmetro é simples: se o corpo começou a demonstrar desconforto, é hora de parar. “Quando a pessoa começa a beber e sente que está fazendo mal — náusea, tontura, coração disparado — esse é o momento de interromper”, orienta.

O cuidado deve ser ainda maior para quem já tem histórico cardiovascular ou sintomas que podem indicar um problema não investigado. “Pacientes com arritmia, palpitações, desmaios, valvulopatias ou qualquer histórico de doença cardíaca não devem consumir essas bebidas”, diz.

Ele alerta que isso vale também para quem ainda não tem diagnóstico fechado, mas já apresenta sinais que merecem atenção. “Se a pessoa já tem sintomas como palpitação, falta de ar ao esforço, tontura ou desmaios, a recomendação é não usar estimulantes”, reforça.

Em contextos de lazer e consumo elevado, o cardiologista destaca que curtir com segurança também passa por reconhecer limites e reduzir comportamentos de risco. A mistura de álcool e energético pode parecer inofensiva, mas pode trazer consequências sérias para o ritmo cardíaco.


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Altair Tavares

Editor do Ciberjornal que sucedeu desde fevereiro de 2025 todo o conteúdo do blog www.altairtavares.com.br . Atuante no webjornalismo desde 2000. Repórter, comentarista e analista de política. Perfil nas redes sociais: @altairtavares