Economia

Luiza Helena Trajano defende diálogo sobre escala 6×1, cotas e alerta para impacto das bets na economia

A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, afirmou que o debate sobre temas como igualdade de gênero, cotas, relações de trabalho e apostas esportivas precisa ser conduzido com diálogo e foco em soluções. Em entrevista exclusiva ao UOL, ela apresentou as iniciativas do movimento Summit Mulheres nas Profissões, que pretende elevar de 32% para 50% a participação feminina em cargos de alta liderança nas empresas públicas e privadas até 2030. Para a empresária, as cotas são um mecanismo temporário para corrigir desigualdades históricas. “Meritocracia só existe quando a partida é igual. Quando não é, a cota é um processo transitório para corrigir essa desigualdade”, afirmou.

Ao comentar o cenário político, Luiza Helena voltou a rejeitar rótulos ideológicos e disse que sempre atuou em defesa de causas sociais, sem vínculo partidário. Segundo ela, posições públicas acabam gerando críticas e ataques, mas isso não a fará abandonar o propósito de contribuir para o país. A empresária também demonstrou confiança no avanço da participação feminina na política e no mercado de trabalho, destacando que a presença das mulheres em espaços de decisão tem sido cada vez mais valorizada.

Sobre a proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1, aprovada na Câmara e ainda sem definição no Senado, Luiza Helena afirmou que o tema exige equilíbrio entre o direito ao descanso dos trabalhadores e a necessidade de manter a produtividade das empresas. Ela evitou se posicionar favoravelmente ou contra a medida e defendeu uma construção conjunta entre empresários, trabalhadores e governo. “É uma causa que precisa ser muito conversada. Não pode afetar o salário, nem a produtividade. Essa equação só será resolvida com diálogo”, declarou.

A presidente do Conselho do Magazine Luiza também fez um alerta sobre o crescimento das apostas virtuais no Brasil. Segundo ela, as bets têm provocado aumento do endividamento das famílias, redução do consumo no varejo e graves problemas de saúde mental entre trabalhadores. A empresária relatou que empresas já enfrentam casos recorrentes de funcionários que desenvolvem dependência em jogos de azar, comprometendo o desempenho profissional e a estabilidade financeira. Para Luiza Helena, a situação exige medidas urgentes para conter os impactos sociais e econômicos do avanço das apostas no país.

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Altair Tavares

Editor do Ciberjornal que sucedeu desde fevereiro de 2025 todo o conteúdo do blog www.altairtavares.com.br . Atuante no webjornalismo desde 2000. Repórter, comentarista e analista de política. Perfil nas redes sociais: @altairtavares