A médica Ana Gabriela Maia voltou a repercutir o Acidente radiológico de Goiânia ao publicar documentos e relatos que, segundo ela, evidenciam a atuação de seu avô, Sebastião Maia de Andrade, nos momentos iniciais da identificação da contaminação. A postagem reacende o debate sobre possíveis lacunas na narrativa histórica do episódio.
Entre os materiais divulgados, está um documento oficial da Nuclebrás, assinado por Sebastião Maia, no qual ele descreve sua participação direta na detecção da radioatividade. No texto, ele relata: “No momento, o gerente não se encontrava no escritório, estava resolvendo problemas administrativos da empresa na cidade. Assim sendo, o aparelho foi emprestado aos funcionários Monteiro e Mundinho da OSEGO, e ao físico Walter, por um funcionário da área administrativa da Nuclebrás, que os acompanharam até o local da suposta radiação.”
O documento também detalha o momento em que a gravidade da situação foi percebida. “Às 13:30 horas, fiquei aguardando a chegada dos funcionários e do físico em minha sala. Logo que eles chegaram liguei o cintilômetro e verifiquei que os mesmos estavam contaminados com baixa radioatividade”, descreve. Em seguida, ele afirma: “Fui aproximando do local da radiação e aproximadamente a 100 metros da casa, onde se encontrava a peça contaminada, a radioatividade detectada pelo cintilômetro SPP 2 foi superior a 15.000 CPS.”
Outro trecho reforça a atuação imediata diante do risco identificado: “Assim sendo, disse aos funcionários que teríamos de tomar providências imediatas. Dirigi-me rapidamente ao escritório da Nuclebrás, entrei em contato com o Dr. Rosental na CNEN, no Rio de Janeiro, expondo o problema e disse a ele que iria telefonar ao secretário da saúde, Dr. Faleiros.”
Além do documento técnico, a médica também compartilhou relatos que ajudam a contextualizar os acontecimentos. Em um deles, atribuído a Paulo Roberto Monteiro, lê-se: “Eu era chefe da Fiscalização de Alimentos da Vigilância Sanitária na época. […] Ao retornar, apurei a situação e fiz contato com um amigo na Nuclebrás. Ele passou um cintilômetro na minha roupa e o aparelho sinalizou: eu estava com césio na roupa.”
O mesmo relato descreve o momento crítico da identificação da contaminação em via pública: “Mas na Avenida Anhanguera o cintilômetro disparou ao máximo. Ele se recusou a prosseguir, recomendando acionar a CNEN.” Já em outro documento compartilhado, consta: “Os físicos, Walter Mendes da Secretaria de Saúde e Sebastião Maia, do escritório local da Nuclebrás, verificaram que o material depositado sobre a mesa […] era radioativo.”
Ao trazer esses trechos, Ana Gabriela Maia sustenta que a participação de seu avô foi determinante para a identificação do material radioativo e para o acionamento das autoridades competentes. A publicação levanta questionamentos sobre como a história oficial do acidente foi construída e reforça a necessidade de revisitar documentos e registros da época para garantir o reconhecimento de todos os envolvidos na resposta à tragédia.
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Altair Tavares
Editor do Ciberjornal que sucedeu desde fevereiro de 2025 todo o conteúdo do blog www.altairtavares.com.br . Atuante no webjornalismo desde 2000. Repórter, comentarista e analista de política. Perfil nas redes sociais: @altairtavares