A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, da Câmara Municipal de Goiânia, ouviu o diretor-presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme. Ele foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a responsabilidade da concessionária na manutenção e organização dos cabos instalados nos postes da capital.
Durante a oitiva, vereadores cobraram explicações sobre o grande volume de fios em desuso ou irregulares, situação que tem provocado acidentes e contribuído para a poluição visual da cidade. A condução dos questionamentos ficou a cargo do presidente da CEI, Coronel Urzêda (PL), do relator Geverson Abel (Avante) e da vice-presidente Daniela da Gilka (PRTB).
Em sua fala, Lener Jayme afirmou que a Equatorial possui autonomia para retirar cabeamento irregular. No entanto, ponderou que a empresa evita ações indiscriminadas devido à dificuldade de identificar a origem de muitos fios, inclusive de empresas que atuam regularmente. Segundo ele, a remoção sem critério pode comprometer serviços essenciais em residências, comércios e instituições.
O diretor-presidente explicou que a concessionária realiza fiscalizações periódicas e notifica as empresas responsáveis, mas não executa a retirada direta dos cabos clandestinos para evitar prejuízos aos usuários. Ele citou exemplos de outras cidades onde a remoção de fios resultou na interrupção de serviços, levando inclusive à suspensão das ações por parte do poder público.
“O caos se estabelece. Temos muitos serviços essenciais que são interrompidos, paralisados. E não por terem um contrato irregular com a sua empresa de telecomunicações, mas porque essa empresa, eventualmente, em algum trecho, está sem o cabo identificado”, afirmou.
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Lener também destacou o Programa Cidade Segura, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Goiânia e o Ministério Público de Goiás (MP-GO), como uma iniciativa que vinha apresentando resultados positivos na organização da fiação aérea. As ações, no entanto, foram interrompidas no fim do ano passado, em razão do período de festas e férias, e tiveram baixa adesão das empresas após a retomada.
Críticas dos vereadores
Apesar das explicações, os parlamentares fizeram duras críticas à atuação da concessionária. Para o relator Geverson Abel, há omissão por parte da Equatorial. “Ficou muito claro que a Equatorial não faz nada para resolver o problema. Tem autonomia para fazer, mas não faz. Ou seja: notificam as empresas e, se as empresas não fizerem nada, os fios continuam lá”, afirmou.
O presidente da CEI, Coronel Urzêda, reforçou que o foco da comissão não é punição, mas a busca por soluções concretas. “Não estamos aqui para fazer pré-julgamentos. O principal objetivo desta CEI não é indiciamento ou exposição de quem quer que seja, mas resolver o problema — um problema que sabemos ocorrer em nível nacional. Quem sabe Goiânia não pode ser exemplo nessa solução?”, destacou.
Urzêda também ressaltou que a própria Equatorial reconhece ter competência para retirar fios clandestinos, mas aponta entraves sociais para a medida. “A concessionária admite que pode retirar, mas não o faz para não interromper serviços prestados a hospitais, escolas e outros consumidores. Independentemente disso, esse problema precisa ser resolvido de uma vez por todas”, completou.
Já a vereadora Daniela da Gilka classificou o cenário como reflexo da ilegalidade no setor. “Ele fala de caos, mas, para mim, trata-se de um caos da ilegalidade, em que se visa mais o lucro do que proteger vidas”, criticou.
Próximos passos
Diante do impasse, os integrantes da CEI pretendem ampliar o diálogo com o Ministério Público de Goiás para discutir o aprimoramento do Programa Cidade Segura. A proposta é estabelecer responsabilidades claras, prazos e medidas efetivas entre todos os envolvidos para enfrentar o problema em Goiânia.
Instalada em novembro do ano passado, a comissão investiga a atuação da Equatorial e de empresas de telecomunicações quanto à presença de fios soltos, caídos ou inativos nos postes da capital. A CEI foi criada após o aumento de acidentes e de reclamações da população.
Outras oitivas já foram realizadas com representantes de operadoras como Vivo e TIM. Segundo dados da Prefeitura, cerca de 70 toneladas de fios já foram retiradas em ações conjuntas, mas a fiscalização e a regularização do cabeamento seguem como desafios persistentes.
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Altair Tavares
Editor do Ciberjornal que sucedeu desde fevereiro de 2025 todo o conteúdo do blog www.altairtavares.com.br . Atuante no webjornalismo desde 2000. Repórter, comentarista e analista de política. Perfil nas redes sociais: @altairtavares