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Categorias: Opinião

A cadeirada e o pior da política: O estímulo à violência. Artigo de Altair Tavares

O debate da TV Cultura, ocorrido no domingo, 15 de setembro, marcou um novo e preocupante capítulo na deterioração do discurso político brasileiro. O confronto físico entre José Luiz Datena e Pablo Marçal não foi apenas um evento isolado, mas um reflexo claro da escalada da polarização e da crescente normalização da violência política no país. O lançamento de uma cadeira por Datena em resposta às acusações de assédio sexual feitas por Marçal simboliza o estado alarmante de degradação do debate público, onde o confronto de ideias é cada vez mais substituído por agressões e insultos.

Esse episódio revela o quão frágil se tornou o espaço de diálogo no cenário político brasileiro. Em vez de uma arena de discussões produtivas sobre soluções para os problemas nacionais, o debate se transformou em um campo de batalha pessoal, onde o ataque físico e verbal domina o espaço antes dedicado à troca de propostas. A escalada de provocações, culminando na violência, apenas reforça as divisões já existentes na sociedade, ampliando o abismo entre grupos ideologicamente opostos e incentivando a cultura de ódio.

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O impacto desse incidente vai muito além do episódio em si. Ele alimenta uma atmosfera de radicalização política, onde adversários não são mais vistos como oponentes em uma democracia, mas como inimigos a serem destruídos. Esse tipo de confronto violento em um debate público, transmitido para milhões de espectadores, legitima, ainda que indiretamente, a ideia de que a violência pode ser uma resposta aceitável a divergências políticas. Em um país onde a violência política já tem se tornado mais frequente, o episódio contribui para aprofundar essa perigosa tendência.

O debate de 15 de setembro foi um sintoma de uma doença maior: o esfacelamento do diálogo democrático. A incapacidade dos participantes de manter a civilidade mesmo diante de críticas duras é um reflexo de uma sociedade que está perdendo a habilidade de lidar com diferenças sem recorrer à violência. Ao invés de contribuir para a construção de pontes entre os diversos setores da sociedade, o incidente alimenta a fogueira da polarização, empurrando o Brasil ainda mais para um caminho de intolerância e confrontos.

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Se o episódio deste debate for um indicativo do futuro, a política brasileira se arrisca a ser dominada não pela razão e pelo debate saudável, mas pelo caos, pela agressão e pelo medo. Esse tipo de espetáculo é um alerta claro de que, se não houver um esforço coletivo para reverter essa tendência, a violência política e a polarização só continuarão a crescer, com consequências potencialmente desastrosas para a democracia no Brasil.

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Altair Tavares – Jornalista e Editor Geral do Portal ATNews

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Redação - Altair Tavares

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