A entrevista no canal do YouTube da CartaCapital chama atenção para um alerta feito por Maria Rita Kehl sobre os desafios da esquerda brasileira diante do avanço da extrema direita e das transformações no cenário político do país. Na conversa, a psicanalista, escritora e colunista analisa o ressentimento, a memória política e os efeitos da falta de responsabilização pelos crimes cometidos durante a ditadura militar.
Kehl, que integrou a Comissão Nacional da Verdade, relaciona o processo de construção da memória brasileira ao ambiente político que culminou nos ataques de 8 de Janeiro. Para ela, a ausência de punição a torturadores e agentes da ditadura deixou marcas que ainda influenciam a democracia brasileira e contribuem para a permanência de discursos autoritários.
Ao falar sobre o futuro do campo progressista, Maria Rita Kehl afirma ser otimista, mas reconhece uma dificuldade central para a esquerda: a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, não há atualmente uma liderança com o mesmo carisma do presidente. Em tom descontraído, afirmou que poderia “dar umas aulas de carisma” a Fernando Haddad.
A entrevista também aborda o trabalho de Kehl na psicanálise, sua atuação junto ao MST e a importância da solidariedade diante de situações de sofrimento. A conversa integra a divulgação de “A História dos Vencidos”, coletânea que reúne 47 crônicas e colunas publicadas na CartaCapital e na Cult entre 2022 e 2026. O livro resgata a perspectiva daqueles que, segundo a autora, muitas vezes ficam fora da narrativa construída pelos vencedores.
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Altair Tavares
Editor do Ciberjornal que sucedeu desde fevereiro de 2025 todo o conteúdo do blog www.altairtavares.com.br . Atuante no webjornalismo desde 2000. Repórter, comentarista e analista de política. Perfil nas redes sociais: @altairtavares