Centrais sindicais como CUT, Força Sindical, CSB e UGT iniciam neste fim de semana uma mobilização nacional para pressionar senadores pela antecipação da votação da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas. A articulação ocorre após reunião do Fórum das Centrais Sindicais em 4 de setembro de 2026 e visa evitar que a proposta seja adiada para depois do primeiro turno das eleições. Líderes das entidades alertam para o risco de que parlamentares atendam interesses empresariais caso a análise fique para depois do pleito.
Reunião define ações de pressão nos estados
As centrais planejam panfletagens em centros comerciais, protestos de rua e campanha intensa nas redes sociais a partir de 5 de setembro de 2026. O objetivo é cobrar diretamente os senadores em seus estados de origem para que marquem a votação antes das eleições. Os dirigentes pretendem ainda solicitar audiência com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para garantir que o tema não seja postergado.
Os empresários falam que querem que vote depois da eleição porque sabem que o senador vai trair o povo. Fala que vota a favor do povo e, no dia seguinte, trai a população. É isso que nós vamos denunciar
Sérgio Nobre
Outra preocupação das entidades é o possível enfraquecimento do apoio popular caso a matéria fique para depois do período eleitoral. Mais de 70% da população brasileira se declara favorável à PEC, segundo dados citados pelos sindicalistas.
Posição do setor empresarial e expectativa de diálogo
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo manifestou posição contrária à condução da discussão sob pressão do calendário eleitoral. A entidade defende que mudanças constitucionais nas relações de trabalho exijam análise técnica e previsibilidade, sem influência de prazos eleitorais. Os sindicalistas, por sua vez, destacam que a aprovação na CCJ do Senado ocorreu com ampla maioria e que apenas quatro senadores votaram contra, todos sem candidatura nas eleições atuais.
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Para nós, o adiamento da votação foi uma surpresa negativa. Mais de 70% da população brasileira é a favor da PEC. Vejo esse adiamento com muita preocupação porque, se deixar para depois da eleição, podemos voltar para a estaca zero
Miguel Torres
Os líderes sindicais afirmam que a cobrança popular nas ruas pode obrigar os senadores a responderem publicamente sobre o tema durante a campanha. Eles pretendem transformar a PEC 221/2019 em assunto central dos debates eleitorais até o primeiro turno.
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