Um levantamento do Observatório IA nas eleições, realizado por Data Privacy Brasil e Aláfia Lab, revelou que quase dois em cada três conteúdos políticos gerados por inteligência artificial nas redes sociais brasileiras entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026 não foram rotulados como exigido pela Justiça Eleitoral. A análise de 413 materiais mostrou que 60% consistiam em sátira e 40% em desinformação, com 81% classificados como deepfakes que manipulavam imagens ou voz. Os conteúdos envolveram partidos como PL, PT e PSDB, além de figuras como Flávio Bolsonaro, Mário Frias, Romeu Zema, Sóstenes Cavalcante e Eduardo Bolsonaro, tendo como alvo principal o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Muitos dos materiais foram publicados por usuários anônimos sem qualquer sinalização do uso de tecnologia sintética, o que contraria as normas eleitorais vigentes no país. O estudo destacou que a ausência de rotulagem ocorreu tanto por iniciativa dos criadores quanto pela falta de moderação efetiva das plataformas digitais, apesar dos recursos disponíveis para marcação automática.
Perfil dos materiais identificados
A maioria dos deepfakes serviu a propósitos de sátira ou para espalhar informações distorcidas sobre candidatos e partidos durante o período analisado. Entre os 413 conteúdos, a predominância de produções sem identificação reforça o risco de circulação descontrolada nas redes sociais, onde o compartilhamento rápido amplifica o alcance sem que o público perceba a origem artificial.
Preocupações com a transparência digital
O dado levanta a preocupação dos conteúdos estarem sendo compartilhados sem o cuidado de informar ao público o uso da tecnologia seja por parte das contas que o publicam, como também das próprias plataformas digitais, que, apesar de disponibilizarem os recursos de rotulagem, possivelmente não estão moderando devidamente os conteúdos sintéticos.
Especialistas do observatório alertam que a violação das regras da Justiça Eleitoral pode comprometer a integridade do debate público, especialmente em um ano de eleições. A recomendação central é que plataformas intensifiquem a aplicação de rótulos e que usuários adotem práticas de verificação antes de compartilhar materiais suspeitos.
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Além disso, o relatório sugere maior colaboração entre órgãos eleitorais e empresas de tecnologia para garantir que conteúdos gerados por IA sejam identificados de forma clara e imediata, reduzindo assim o potencial de manipulação em campanhas políticas futuras.
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