A análise do programa Ponto de Partida React, do Canal Meio, coloca no centro do debate eleitoral o chamado “piso do antipetismo” e tenta explicar por que Flávio Bolsonaro, mesmo liderando entre os nomes da direita em alguns cenários, enfrenta alta rejeição. Com base na pesquisa Meio/Ideia de agosto, o jornalista Pedro Doria avalia que o eleitorado identificado com o bolsonarismo não é necessariamente um bloco homogêneo ou totalmente consolidado.
Segundo Doria, cerca de 25% dos votos atribuídos a Flávio Bolsonaro no primeiro turno poderiam ser divididos em diferentes grupos. Uma parcela, estimada em 12% a 13%, seria formada pelo eleitorado mais fiel ao bolsonarismo, incluindo grupos radicalizados. O restante teria forte componente antipetista e poderia migrar para outro candidato de direita caso surja uma alternativa considerada competitiva. Para o jornalista, esse segmento é justamente o ponto central da disputa pelo chamado piso bolsonarista.
A análise também aborda o fenômeno que o fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura, chama de “antipetismo de chegada”. De acordo com Doria, existe uma parcela do eleitorado que não acompanha de perto a política e permanece indecisa durante a campanha, mas que, no dia da eleição, tende a escolher o candidato que estiver mais próximo de derrotar Lula. Esse comportamento ajuda a explicar por que adversários do PT podem terminar a eleição com mais votos do que indicavam as pesquisas anteriores.
Para Pedro Doria, porém, a elevada rejeição à família Bolsonaro pode limitar esse movimento. O eleitor antipetista que tradicionalmente votaria contra Lula pode, diante de um candidato Bolsonaro, optar por não votar nele ou até permanecer em casa. A discussão apresentada no Ponto de Partida React é, portanto, sobre qual será o tamanho real desse piso: se os 25% atribuídos ao bolsonarismo representam um voto consolidado ou se uma parte significativa pode se desfazer durante a campanha.
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Altair Tavares
Editor do Ciberjornal que sucedeu desde fevereiro de 2025 todo o conteúdo do blog www.altairtavares.com.br . Atuante no webjornalismo desde 2000. Repórter, comentarista e analista de política. Perfil nas redes sociais: @altairtavares