Durante o Setembro Amarelo, a necessidade de atenção à saúde mental após perdas gestacionais recebe destaque no Brasil, com o relato de Kalyane Ribeiro e orientações de especialistas da Febrasgo sobre os impactos do luto, traumas e o apoio necessário para evitar agravamentos emocionais.
O depoimento de Kalyane Ribeiro sobre sua experiência
Kalyane Ribeiro compartilha que a perda gestacional precoce a colocou em um estado de profundo isolamento. Ela descreve a sensação de entrar em um buraco e abrir uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro, enquanto quem está do lado de fora não compreende a dor. As pessoas costumam oferecer conselhos como “você vai ter que tentar de novo, vai dar certo”, mas ela ressalta que não se trata de substituir o filho. O sofrimento não desaparece com palavras superficiais e exige acolhimento real.
Eu sempre falo para as pessoas que quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro, e as pessoas que estão do lado de fora não conseguem saber o que tem lá
Kalyane Ribeiro
Em outro momento, Ribeiro observa que o mundo real não quer saber dos detalhes da perda e insiste em soluções rápidas que não consideram o luto genuíno.
Impactos emocionais e hormonais explicados por especialistas
Romulo Negrini, da Febrasgo, explica que a perda gestacional provoca tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda de interesse pelas atividades cotidianas, independentemente da idade gestacional. Sofrer intensamente é uma reação humana esperada e não significa, por si só, o desenvolvimento de uma doença psiquiátrica. Eduardo Felix Martins Santana complementa que é um desafio passar por isso e que a mulher não deve enfrentar o processo sozinha.
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Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia. Sofrer intensamente nesse momento é uma reação humana esperada e não significa, por si só, que a mulher tenha desenvolvido uma doença psiquiátrica
Romulo Negrini
Andréa Cristina Galastri detalha que a queda hormonal após a perda gestacional amplifica a sensibilidade emocional, comparável a uma TPM mais intensa, e enfatiza que o sofrimento é natural, mas a paralisia da vida não deve ocorrer.
A importância do acolhimento médico e familiar
Especialistas da Febrasgo, com menções a profissionais de Manaus e Campinas, defendem que os médicos precisam buscar ativamente essa assistência para evitar que pacientes cheguem ao consultório já em depressão grave. O apoio familiar e social é fundamental para reduzir riscos de luto patológico, ansiedade persistente e outros transtornos. A campanha Setembro Amarelo reforça a urgência de políticas que integrem saúde mental ao cuidado obstétrico em todo o país.
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