A concentração de casos de sarampo em São Paulo expõe o risco de novos surtos enquanto a cobertura vacinal permanece abaixo de 95%. A capital e a Grande São Paulo registram transmissão local, principalmente entre crianças menores de um ano nos bairros Vila Medeiros, Vila Maria e em Guarulhos. Casos importados da Bolívia em fevereiro e da Guatemala em março deram início a uma cadeia de contágio em ambiente escolar, transmitida por gotículas de saliva entre não imunizados.
Casos importados geram transmissão local
A entrada de viajantes em uma cidade como São Paulo, que recebe eventos internacionais diariamente, facilita a introdução do vírus. A transmissão ocorreu em escola de educação infantil, onde o contato próximo permitiu a disseminação entre quem não completou o esquema vacinal. Residentes das regiões norte da capital e de Guarulhos concentram os registros mais recentes, elevando a atenção das autoridades de saúde.
Cobertura vacinal abaixo do necessário
Com cobertura em torno de 75% na capital, o índice fica distante dos 95% exigidos para interromper a circulação do sarampo. A chegada constante de pessoas de países com surtos recentes aumenta a probabilidade de novos contágios. Manter índices elevados e homogêneos é essencial para proteger grupos vulneráveis, como bebês ainda não aptos à vacinação.
Declarações do infectologista Renato Kfouri
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações enfatiza a importância da vigilância contínua. O ciclo de incubação e transmissão da doença é de cerca de 20 dias. São 10 dias de incubação até os primeiros sintomas, dois dias de transmissão antes da febre e mais 12 dias após o início da febre.
Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância. Na vigilância temos de estar atentos, fazer o isolamento e a vacinação dos contatos. Não é algo simples pois São Paulo é um hub, uma cidade onde há eventos internacionais diários. A entrada de sarampo vai ocorrer, e por isso precisamos voltar a manter altos índices vacinais altos para evitar a transmissão de casos, mas também mantê-la homogênea.
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Renato Kfouri
Infelizmente é esperado. Chegam todo dia ao país milhares de pessoas, a trabalho ou a turismo, além dos brasileiros que estiveram no exterior recentemente. Como nossos vizinhos tem sofrido com surtos recentes isso vai nos influenciar.
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