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Lula critica guerra de EUA e Israel contra Irã como desnecessária e baseada em mentiras

© Ricardo Stuckert / PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando-a como desnecessária e fundamentada em alegações falsas sobre armas nucleares iranianas. Em entrevista ao vivo à TV Cidade, em Fortaleza, no dia 1º de abril de 2026, Lula destacou um acordo de 2010 que ele próprio mediou para o enriquecimento pacífico de urânio no Irã, rejeitado posteriormente pelos EUA e pela União Europeia. A declaração ocorre em meio a uma escalada no conflito, que completou um mês nesta semana, com impactos significativos nos preços globais do petróleo e, consequentemente, nos combustíveis no Brasil.

Contexto da guerra e críticas de Lula

A guerra envolveu ataques combinados ao território iraniano e o fechamento do Estreito de Ormuz, levando a uma alta de 50% no preço do petróleo. Lula enfatizou que as justificativas para o conflito, baseadas em supostas armas nucleares, são infundadas, citando a morte do líder iraniano Ali Khamenei como um equívoco que não encerrou as hostilidades. O presidente brasileiro alertou que o Irã, com quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar, continua resistindo, o que prolonga a instabilidade na região.

Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que, no Irã, tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer arma nuclear. É mentira.

Ele reforçou que divergências políticas entre Israel, Estados Unidos e Irã não precisavam evoluir para um confronto armado, especialmente considerando o acordo de 2010 que equiparava o programa nuclear iraniano ao brasileiro, restrito a fins pacíficos pela Constituição.

Impactos econômicos no Brasil

A volatilidade causada pelo conflito elevou os preços do diesel no Brasil, afetando diretamente a economia nacional. Lula apontou que, apesar das reduções de preço anunciadas pela Petrobras, os valores não chegam às bombas de combustível, gerando prejuízos aos consumidores. O governo brasileiro planeja editar uma medida provisória ainda nesta semana para mitigar esses efeitos, com foco em fiscalização rigorosa.

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A Petrobras baixa o preço, mas não chega na bomba. Quando a gente tinha a BR Distribuidora, podia chegar na bomba, porque o posto era nosso.

Medidas de fiscalização e alertas

Para combater abusos, o presidente determinou ações conjuntas da Polícia Federal e dos Procons estaduais, com fiscalizações ativas em estradas e postos de gasolina. Ele não hesitou em afirmar que irregularidades podem resultar em prisões, visando garantir que as reduções de preço sejam repassadas ao consumidor final. Essa iniciativa reflete a preocupação do governo com a alta nos combustíveis, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pela guerra no Irã.

Nós estamos, com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, fiscalizando, e vamos ter que colocar alguém na cadeia. [A fiscalização] está ativa, minha ordem é para estrada, posto de gasolina.

Reflexões sobre o acordo de 2010

Lula recordou sua visita ao Irã em 2010, quando firmou um acordo para o enriquecimento de urânio sob condições pacíficas, similar ao modelo adotado no Brasil. Segundo ele, o pacto foi ignorado pelos EUA e pela União Europeia, o que contribuiu para as tensões atuais. Essa perspectiva histórica reforça sua crítica à guerra, destacando que alegações de armas nucleares no Irã são mentirosas e desnecessariamente belicosas.

Eu digo que é mentira porque eu fui, em 2010, ao Irã, fazer um acordo. E fizemos um acordo que, depois, os EUA não aceitaram nem a União Europeia. Fizemos um acordo para que o Irã pudesse enriquecer o urânio com os mesmo métodos que o Brasil, porque, aqui, nossa Constituição diz que a gente só pode utilizar para fins pacíficos.

Não tem arma nuclear lá. Ou seja, se tem uma divergência política entre Israel, Estados Unidos e Irã, não precisava terminar em guerra. Eles achavam que tinham acabado a guerra porque mataram o Khamenei. Não acabaram a guerra. O Irã é um país com quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar.


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