O número de pessoas transferidas para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) após quedas registrou aumento de quase 50% entre janeiro e maio de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 258 pacientes e representando mais da metade dos casos de trauma atendidos no hospital federal. O dado coincide com o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, e reforça o impacto do envelhecimento populacional nos serviços de saúde. A maioria dos atendimentos envolve idosos com 60 anos ou mais, que correspondem a mais de 70% dos casos.
Aumento de casos e perfil dos pacientes
Quedas de própria altura predominam entre os atendimentos e, na maioria das situações, exigem avaliação especializada seguida de cirurgia. O envelhecimento da população brasileira nas últimas duas décadas ampliou a longevidade, mas também elevou a incidência de problemas relacionados à idade, como perda de equilíbrio, diminuição da força muscular e redução da acuidade visual. Esses fatores explicam o crescimento expressivo registrado pelo Centro de Trauma do Into.
A falta do equilíbrio, a diminuição da força, a perda da acuidade visual, tudo isso vem com a idade. Nos últimos 20 anos, a gente teve aumento fantástico da longevidade. Quando você aumenta o número de pessoas idosas, você aumenta também o número de problemas relacionados à idade.
Tito Rocha
O chefe do Centro de Trauma, Tito Rocha, destaca que o idoso não recupera com a mesma facilidade que o jovem após uma queda. Enquanto o jovem geralmente sacode a poeira e segue adiante, o idoso frequentemente não consegue se levantar sozinho e acaba sofrendo fratura que demanda tratamento cirúrgico ou período prolongado acamado.
Riscos associados e medidas preventivas
A internação de idosos após fraturas aumenta o risco de complicações como pneumonia e infecção urinária. A mortalidade associada a fraturas em idosos permanece elevada, chegando a 20% a 30% nos primeiros 30 dias e até um ano após o incidente. Pacientes que já apresentam dificuldade para levantar de uma cadeira enfrentam recuperação ainda mais complexa devido à fragilidade óssea e muscular pré-existente.
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O jovem, quando cai de própria altura, geralmente sacode a poeira e dá a volta por cima. O idoso não. Ele não consegue nem se levantar e normalmente faz uma fratura que precisa de algum tratamento cirúrgico ou que ele fique acamado.
Tito Rocha
Medidas simples podem reduzir os riscos em domicílios. Recomendações incluem instalar barras de apoio no banheiro, retirar tapetes soltos, usar calçados antiderrapantes e ter atenção com animais domésticos que possam enroscar nas pernas. Embora chegar aos 90 anos seja positivo, o envelhecimento traz maior prevalência de comorbidades e fragilidade, exigindo cuidados redobrados.
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