No dia 30 de março de 2026, o programa Caminhos da Reportagem da TV Brasil exibiu um episódio dedicado aos riscos do consumo de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros. O conteúdo destacou a classificação NOVA, os impactos na saúde e as políticas públicas necessárias para combater o problema. Especialistas como Carlos Monteiro, da USP, e representantes de instituições como Fiocruz e Ministério da Saúde alertaram sobre o aumento do consumo desses alimentos, que dobrou desde 1980, levando a obesidade, doenças crônicas e custos anuais de R$ 10 bilhões ao sistema de saúde.
O conceito de ultraprocessados e a classificação Nova
A classificação NOVA, desenvolvida na USP por Carlos Monteiro, diferencia alimentos em grupos com base no processamento. Ultraprocessados incluem itens como biscoitos recheados, refrigerantes e sucos de caixinha, que contêm aditivos e estimulam o consumo excessivo. Monteiro explica que o sistema alimentar atual promove esses produtos de forma quase compulsória.
Não existe uma epidemia de falta de força de vontade, as pessoas são as mesmas. O que mudou foi o sistema alimentar. O sistema alimentar hoje é muito não saudável e acaba estimulando as pessoas a quase compulsoriamente consumir alimentos ultraprocessados.
— Carlos Monteiro
Impactos na saúde e custos para o Brasil
O episódio revela que o consumo de ultraprocessados contribui para obesidade e sobrepeso em milhões de brasileiros, associado a até 57 mil mortes anuais evitáveis. Eduardo Nilson, da Fiocruz Brasília, e Luciana Phebo, da Unicef, destacam riscos para crianças, afetando o desenvolvimento nervoso, imunológico e digestivo. Isso leva a doenças crônicas ao longo da vida.
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Desenvolvimento do sistema nervoso, do sistema imunológico, do sistema digestivo, enfim, de todo o corpo, das suas dinâmicas. Ser desde cedo afetado por ultraprocessado vai levar esse corpo a muitas outras doenças crônicas.
— Luciana Phebo
Exemplos de mudanças de hábitos e educação nutricional
O programa apresenta histórias reais, como a de Luan Bernardo Marques Gama, de Águas Lindas de Goiás, que mudou sua dieta após tratamento no Hospital da Criança em Brasília. A nutricionista Ana Rosa da Costa descreve o processo de educação nutricional, incluindo leitura de rótulos e atividades físicas. Uma escola em Goiás é citada como exemplo de promoção de hábitos saudáveis.
Eu era tipo uma formiga. Era bala, chocolate, presunto, suco de caixinha, refrigerante, aqueles biscoitos.
— Luan Bernardo Marques Gama
As compras são um processo dessa educação nutricional, leitura de rótulo, ver também que a criança consegue fazer esporte. O Luan aderiu supercerto. Ele demorou apenas um ano dentro do programa e recebeu alta.
— Ana Rosa da Costa
Políticas públicas e regulação
Especialistas como Kelly Santos, do Ministério da Saúde, e Paula Johns, da ACT Promoção da Saúde, discutem medidas fiscais e regulatórias, inspiradas em países como México e Chile. Elas enfatizam a importância de marcadores em rótulos para identificar ultraprocessados e combater alegações enganosas de benefícios nutricionais.
É uma medida já aplicada em outros países, como México e Chile, que nos inspiram a desenvolvê-la aqui no Brasil também.
— Kelly Santos
Você vê aqueles biscoitos recheados com várias alegações de que eles têm vitaminas. Então, tem todo um contexto de promoção desses alimentos que cria uma impressão de que eles são muito bons.
— Paula Johns
É mais importante você ter um marcador que indique que aquilo é um alimento ultraprocessado.
— Paula Johns
Alerta para um sistema alimentar mais saudável
O episódio do Caminhos da Reportagem serve como alerta para a necessidade de mudanças no sistema alimentar brasileiro. Com o consumo de ultraprocessados em alta, políticas públicas e educação são essenciais para reduzir impactos na saúde pública. A exibição na TV Brasil reforça a importância de debater esses temas para promover uma alimentação mais saudável em todo o país.
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