A hipertensão arterial segue como uma das doenças mais perigosas e subdiagnosticadas no Brasil. Conhecida como “inimiga silenciosa”, a condição pode evoluir por anos sem apresentar sintomas, enquanto compromete órgãos vitais. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% da população brasileira convive com a hipertensão arterial. No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, o cardiologista Murilo Meneses, do Einstein em Goiânia, chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce.
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da doença sem que a pessoa perceba. Idade, histórico familiar e etnia estão entre os fatores não modificáveis, enquanto sobrepeso, consumo excessivo de sal e álcool, sedentarismo e estresse crônico estão entre os principais vilões. O estresse psicossocial, inclusive, pode mais que dobrar o risco de hipertensão, ressalta o cardiologista. “O problema é que esses fatores se acumulam de forma silenciosa ao longo da vida”, alerta.
Mesmo com a pressão elevada, o organismo se adapta progressivamente a esse novo estado. As artérias vão endurecendo, o coração vai sendo sobrecarregado e órgãos como rins e cérebro são afetados aos poucos, sem dor ou sinais evidentes. Quando os sintomas aparecem, geralmente indicam que já há comprometimento de algum órgão ou níveis muito elevados de pressão.
A recomendação médica, portanto, é aferir a pressão regularmente. Para quem não apresenta fatores de risco, a aferição deve ser feita ao menos uma vez por ano. Já pessoas com obesidade, diabetes ou histórico familiar precisam de acompanhamento mais frequente. “Valores entre 120 e 139 mmHg já acendem um alerta e exigem mudanças no estilo de vida. Medições em casa ou em farmácias, quando feitas corretamente, também podem ajudar”, afirma o especialista.
Sem controle, a hipertensão pode causar complicações graves. No coração, aumenta o risco de infarto e insuficiência cardíaca. No cérebro, é a principal causa de AVC no Brasil. Também pode levar à doença renal crônica e comprometer a visão. Segundo o médico, reduzir a pressão sistólica em apenas 10 mmHg pode diminuir o risco de AVC em até 33% e de infarto em 17%, evidenciando o impacto do tratamento.
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Apesar de ser majoritariamente assintomática, alguns sinais da doença podem surgir em casos mais graves, como dor de cabeça na nuca, tontura, palpitações, visão turva e sangramento nasal. Quando associados a níveis acima de 180 mmHg, podem indicar uma crise hipertensiva e exigem atendimento imediato.
O médico ressalta que mudanças no estilo de vida têm efeito direto na prevenção e no controle da doença. Redução do consumo de sal, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e moderação no álcool podem diminuir significativamente a pressão arterial. “Em alguns casos, essas medidas são suficientes para controlar a hipertensão. Também podem potencializar o efeito dos medicamentos e reduzir a necessidade de doses mais altas”, orienta.
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