Um estudo divulgado nesta segunda-feira (13/04/2026) revela que, embora 99,4% das grávidas no Brasil realizem pelo menos uma consulta pré-natal, a cobertura despenca para 78,1% na sétima consulta recomendada. A pesquisa, baseada em mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) em 2023, destaca desigualdades acentuadas entre grupos vulneráveis, como indígenas, mulheres de baixa escolaridade e residentes na Região Norte. Pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fiocruz, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da organização Umane alertam para a necessidade de ações para mitigar essas disparidades.
Queda progressiva na cobertura de consultas
A análise mostra uma queda progressiva na adesão às consultas pré-natal ao longo da gestação. Enquanto praticamente todas as grávidas acessam o serviço inicial, apenas cerca de três quartos chegam à sétima consulta. Esse declínio é agravado por fatores socioeconômicos e regionais, com o Norte apresentando a pior cobertura em comparação ao Sul e Sudeste, que registram índices mais elevados.
Os dados indicam que grávidas indígenas, adolescentes e aquelas com baixa escolaridade enfrentam as maiores barreiras. A pesquisa enfatiza como o racismo estrutural e a falta de transporte contribuem para essa realidade. Além disso, a ausência de vínculo com profissionais de saúde dificulta a continuidade do atendimento.
Fatores de desigualdade e chamadas para ação
Desigualdades sociais explicam grande parte das disparidades observadas no pré-natal no Brasil. Mulheres em situações de vulnerabilidade, especialmente no Norte, lutam contra obstáculos geográficos e econômicos que impedem o retorno às consultas. Os pesquisadores apontam que o sistema de saúde precisa ser mais proativo para captar e apoiar essas gestantes.
É esse apoio, esse vínculo, essa captação ativa dessa gestante que vai melhorar a navegação dela para ela retornar às consultas.
Luiza Eunice, uma das autoras, destaca a importância de intervenções ativas. Já Evelyn Santos reforça a necessidade de equidade no atendimento, independentemente de origem étnica, escolaridade ou localização.
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Independentemente de onde moram, de cor de pele, de escolaridade, nós temos que ser capazes de fornecer o mesmo pré-natal, adequado, a todas as mulheres e não esperar que a pessoa tenha escolaridade mais elevada para buscar mais ativamente seu pré-natal e o sistema ser mais proativo com essas populações. É isso que faz toda a diferença: ver toda a população e essas vulnerabilidades como um chamado para a ação.
O estudo serve como um alerta para políticas públicas que promovam a igualdade no acesso à saúde materna. Ao identificar esses padrões, os pesquisadores esperam impulsionar melhorias no sistema, garantindo que todas as grávidas recebam o cuidado necessário para gestações saudáveis.
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